CRÍTICA: DOIS DIAS, UMA NOITE (Deux jour, une nuit)

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Em uma Europa abalada pela crise, Sandra (Marion Cotillard) que estava afastada do seu emprego a vários meses devido uma profunda depressão, está prestes a retornar, quando descobre que foi demitida, pois seus colegas de trabalho tiveram que votar entre ela ficar no emprego ou receberem um abono salarial.

O carro chefe do longa é a espetacular atriz Marion Cotillard (está concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação) com uma personagem nada glamorosa, é o único grande nome do filme, o que não quer dizer que as inúmeras e pequenas participações dos coadjuvantes não consigam acompanhar a maestria da interpretação de Marion.

Sandra então, em uma sexta-feira convence seu chefe a fazer uma nova votação na segunda-feira, e assim começa a peregrinação de Sandra que vai de porta em porta atrás de seus colegas para tentar convence-los a votar nela, que por vezes, se torna uma situação muito humilhante.

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Com uma carga emocional pesadíssima, o longa explora a depressão ao máximo, Sandra inúmeras vezes desaba no chão (literalmente) em posição fetal para chorar. Choro é o que mais temos nesse filme, um genuíno drama europeu-contemporâneo, onde em seus quase 100min de duração temos apenas duas cenas de alivio, são contagiantes, as poucas válvulas de escape que fazem o espectador abrir um largo sorriso junto com os personagens, depois de passar por tantas amarguras e lamentações.

O filme trabalha meticulosamente com uma linha tênue entre a leveza, que fica por conta da fotografia muito alegre e colorida, e o sofrimento sempre que Marion entra em cena e nos acomete de tal forma que quando o filme acaba o espectador está cansando emocionalmente, como se tivesse chorado junto com Sandra durante toda sua jornada, além de que o filme se abdica da Trilha Sonora incorporada, o que o deixa ainda mais mais vazio e realista, mais um acerto dos Dardenne. 

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Durante a peregrinação, Sandra se depara com as reações mais adversas de seus colegas, vemos a gentileza e solidariedade mais nobres e também nos esbarramos na violência e frieza mais monstruosas, afinal, quem quer perder um abono salarial de mil euros em uma Europa catastrófica?

Os irmãos Dardenne deram seu recado, infelizmente a academia não os indicou em “Melhor Filme Estrangeiro”, a única representação na noite de gala será Marion Cotillard, que com certeza fez a melhor atuação de sua carreira até o momento.

Dois dias, uma noite passa a mensagem sobre crise econômica, depressão, solidariedade e de certo modo sobre fé. Com uma linda mensagem em seu contexto, vale a pena passar por essa experiência amarga, que lhe possibilita sentir-se diminuído em seu sofá, observando junto com Sandra que não somos nada, o mundo nos esmaga, e que nem sempre podemos confiar em quem consideramos “amigo”. Uma baita lição!

Nota: 10

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