CRÍTICA: ENTRE ABELHAS

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Não se deixe enganar pelo elenco que é quase todo formado pelo time do Porta dos Fundos, Entre Abelhas não é um filme de comédia, ele é um drama humorizado, fato esse que o torna muito mais atrativo pois vemos esses atores fora de sua zona de conforto. Foram necessários 9 anos desde a ideia na cabeça até a chegada em um estúdio de gravação, para que o filme Entre Abelhas fosse concretizado. A estupenda mente de Fabio Porchat combinada com a qualidade técnica de Ian SBF, fazem de Entre Abelhas um filme completo, contemporâneo e inovador.

Bruno (Fábio Porchat) está em processo de separação com sua esposa (Giovanna Lancellotti) e vai morar com a sua divertida e preocupada mãe (Irene Racavhe). Eis que então inexplicavelmente e de uma hora para outra, Bruno começa a não enxergar mais alguma pessoas, fato esse que vai tomando maiores proporções e a cada dia que passa ele enxerga cada vez menos. A situação é desesperadora, e então ele recorre a sua mãe na esperança que ela possa lhe ajudar. Como uma boa mãe, ela leva seu filho ao médico da família que o encaminha para um psiquiatra, e será nas sessões que Bruno tem com seu psiquiatra que poderemos entender o que de fato está ocorrendo, mas jamais isso será exposto de forma explicita ao decorrer do longa, o que se torna mais um ponto positivo ao filme, uma vez que ele mostra que nem tudo deve ser explicado didaticamente como o público brasileiro está acostumado.

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Com esta cegueira de origem incerta e não sabida, vemos a vida de Bruno desmoronar de uma maneira absurda que retratada com um toque de humor, suaviza toda a desgraça que o acomete, e este processo gradual de cada vez enxergar menos pessoas traz ao filme de forma velada um tom pesado de muito vazio e claustrofobia que vai nos rodeando com o passar do tempo até que de repente nos vemos completamente envolvidos em tal situação que se torna ainda mais embaraçosa pois ao mesmo tempo que nos sensibilizamos ao ver Bruno sofrer soltamos gargalhadas com os métodos sem resultado que sua mãe junto com o garçom de uma pizzaria (interpretado por Luis Lobianco, também do Porta dos Fundos) tentam fazer com que Bruno volte a enxergar as pessoas.

Quero destacar 3 pontos dessa película, e o primeiro destaque vai para Irene Ravache e toda a maestria com que ela constrói sua personagem, sem sombras de duvida a melhor interpretação do filme, sempre muito pontual e fazendo um humor contido, protagoniza as principais cenas em que o publico gargalha deliberadamente. Outro ponto é Fábio Porchat inserido pela prima vez em um papel dramático, mostrando que é versátil e que não está estagnado em apenas um gênero de interpretação (mesmo que o tom cômico o acompanhe ao longo do filme quase que imperceptível). E o terceiro grande feito do filme fica por conta do roteiro, que é sólido, coeso e que convence, acompanhado de uma direção muito delicada e precisa de Ian SBF somado a uma boa trilha sonora (composta na Argentina especialmente para o longa) e edição linear sem grandes surpresas, elevam Entre Abelhas a uma nova categoria de filmes nacionais, uma categoria que começou lá em 2012 com 2 Coelhos e que agora ressurge colocando obras como estas em outro patamar, daquelas coisas raras que espero muito que possamos ver com mais frequência.

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Entre Abelhas é um filme de reflexão e que fica a caráter de cada espectador interpretar a tal cegueira de Bruno, e que apresenta um desfecho ao nível de toda sua trajetória. O único ponto negativo que enxergo nisso tudo é: Demorou demais para termos um filme desta qualidade produzido em nossas terras, e que as pessoas abram sua mente para o que é produzido aqui, e que valorizem mais nosso material, pois é com esse reconhecimento que virão outras inspirações que possam nos agraciar com outras obras do mesmo nível ou até superiores, pois sejamos sinceros, chega de comédia pastelão produzida em massa, os brasileiro sabem apreciar um bom conteúdo, nem só de comédia vivemos, mesmo que nosso país esteja ancorado eternamente nesse gênero.

Nota: 10

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